Sexta-feira, 5 de dezembro de 2003  -  Nº 903
 
Companhias unem-se em consórcio para exportar
Valor Econômico

SÃO PAULO - O consórcio Next (Núcleo de Exportação de Tecnologia), formado por 15 empresas brasileiras de software para atuar nos Estados Unidos (Apyon, Cimcorp, Cingo, CPM, Disoft, E-Safetransfer, Extol, Impactools, Linkware, Open Concept, Paradigma, Politec, Software Design, Stefanini e W3PRO S/A), vai contratar uma agência de marcas americana para definir seu nome fantasia. Ele poderá criar uma marca ou comprar uma bem estabelecida no mercado americano. A previsão das companhias é gerar uma receita de US$ 200 milhões a partir de 2008.

Como explicou há pouco Neissan Monadjen, coordenador do Next, a maior parte das empresas já tem algum tipo de negócio nos Estados Unidos. Juntas, no entanto, elas esperam ganhar escala e massa crítica para se tornar uma marca mundialmente estabelecida.

- Abrimos mão das nossas próprias marcas, mas sabemos que elas ainda são desconhecidas no exterior e que o faremos em prol de um projeto que poderá ser mais forte globalmente - disse.

A companhia será sediada em Delaware e vai iniciar suas operações no segundo trimestre de 2004. As 15 empresas vão se cotizar para o capital inicial da empresa, que será de US$ 10 milhões. Sobre a perspectiva de contar com recursos do BNDES na iniciativa, já que software é um dos quatro segmentos considerados estratégicos no projeto de política industrial do governo Lula, Monadjen afirmou: " acho que antes que o procuremos, o próprio BNDES irá nos oferecer ajuda " .

O executivo lembrou que os Estados Unidos consomem 50% dos US$ 65 bilhões movimentados anualmente pela área de tecnologia da informação, boa parte na área de automação de sistemas bancários - principal foco do Next. O país tem um déficit de cerca de US$ 1 bilhão anuais na área de softwares, já que só exporta algo como US$ 100 milhões e importa US$ 1,1 bilhão.

O ministro Luiz Gushiken, que participou da solenidade de lançamento do Next, lembrou que a iniciativa vai enfrentar dificuldades como "a pulverização do setor, a baixa presença dos softwares na pauta de exportações do país e a pouca divulgação das competências do Brasil na área", mas afirmou que o consórcio " pode estar certo da ajuda do governo brasileiro

Empresas citadas no Valor Econômico